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Rede de Informações
Todos queriam possuir a maior quantidade possível. O investimento era muito seguro, pois a valorização estava sempre crescente. Nunca havia acontecido uma queda nas cotações. Ter informação era ter poder.
Sempre que alguém lançava uma informação nova, os preços rapidamente disparavam, pois a demanda por novidades alimentava este mercado.
Quanto mais restrita e exclusiva a informação, maior seu valor. Esta regra era sagrada. Nunca houve alguém que desafiasse esta realidade.
Alguns buscavam proteção para seu patrimônio em registros de patentes, outros simplesmente reservavam suas informações a um número mínimo de pessoas, apenas o suficiente para que pudesse gerar riquezas, como aquele famoso caso da fórmula secreta do refrigerante que vale milhões.
Em alguns casos ela atingiu o status de segredo, tornando obrigatórios, os contratos de sigilo para que ela pudesse circular normalmente.
A valorização atingiu tal nível que invadiu os relacionamentos humanos.
Gestores passaram a determinar sua autoridade pelo nível de informações "estratégicas" que possuíam. Literalmente, na empresa, quem tinha mais informações, tinha mais poder.
Professores exigiam "respeito" por terem mais informação, assim podiam determinar o avanço no desenvolvimento que permitiriam seus alunos alcançarem.
Mesmo os pais, passaram a educar seus filhos com base na posse de informações. Um dos instrumentos mais comuns, era solicitar aos filhos que "fossem para o quarto" quando queriam compartilhar alguma informação "valiosa".
Quem, nestes últimos anos, não ouviu a frase : "quando você está indo, eu já estou voltando" . Típico recurso de quem acredita que possui uma informação mais "cara" que o outro.
Contudo, o fato é que, a informação já não está mais se valorizando. As cotações estão em queda desde o surgimento de novas tecnologias, principalmente a Internet.
Qualquer informação perde seu caráter de exclusividade no momento que é apresentada, isto dificulta muito a valorização e provoca alguns efeitos significativos nas relações pessoais.
Gestores encontram dificuldades na condução de suas equipes, pois já não possuem informações estratégicas sigilosas que possam sustentar sua "autoridade". Eles sabem que um liderado esperto, tem habilidade em adquirir qualquer informação, mesmo as consideradas exclusivas da chefia.
Pais estão se surpreendendo ao descobrirem que seus filhos tem mais informações e mais habilidades em lidar com elas. Alguns inclusive atribuem a estas habilidades, uma equivocada avaliação de terem filhos "super-dotados".
Professores são pressionados por não conseguirem a atenção verdadeira de seus alunos, que freqüentam as aulas por formalidade, realizando tarefas apenas para cumprir as exigências e receber o diploma.
A Era da Informação está terminando para dar lugar a uma nova era, com novos atores.
A geração Y não valoriza a informação da mesma maneira, pois sabem que ela está disponível a apenas alguns cliques. Isto não significa que a informação perdeu o valor, apenas o foco neste valor que está diferente.
Para estes jovens, uma informação somente tem valor quando flui, ou seja, quando pode ser compartilhada livremente para que tenha uma aplicação prática, que gere resultados reais, caso contrário, a informação não é relevante e pode ser desprezada.
Neste novo cenário, a capacidade de compartilhamento, a colaboração e o relacionamento estão em alta no mercado, e a primeira coisa que estamos percebendo é que os jovens da Geração Y, estão se mostrando muito mais eficientes neste mercado.
Contudo, isto não significa que os jovens estão protegidos de decisões equivocadas.
Se todo este compartilhamento de informação, toda colaboração e relacionamentos não tiverem um direcionamento baseado em valores sólidos, poderemos encontrar no futuro, milhares de "engenheiros em nano-tecnologia" ou doutores em ciências, virando hambúrgueres em lanchonetes.
Estamos vendo do surgimento da Era da Conexões.
Quanto você vai investir neste novo mercado?
∗ Sidnei Oliveira é Consultor, Autor e Palestrante, expert em Conflitos de Gerações, Geração Y, desenvolvimento de Novos Talentos e Redes Sociais, tendo desenvolvido soluções em programas educacionais e comportamentais para mais de 30 mil profissionais em empresas como Vale do Rio Doce, Scania, Lojas Renner, Coamo, Light, entre outras.
Formado em Marketing e Administração de Empresas, autor de vários livros sobre Liderança e Administração. Permaneceu no Banco Real por 20 anos, liderando equipes e desenvolvimento de produtos de automação bancária, reengenharia de processos, endomarketing, database marketing, comércio eletrônico, home banking e internet banking.
Diretor Geral e Fundador dos sites Achei!! e Zeek! até a venda da empresa para a StarMedia Networks, o primeiro negócio envolvendo a transferência de controle de capital em empresa de internet realizado na América Latina.
Atuou como diretor de desenvolvimento de produtos e ombudsman mundial da StarMedia Networks, além de empresas como Inova Tecnologia - Darby -Overseas, Metro Marketing Direto (empresa do Banco Alfa), criação e implantação de uma empresa de meios de pagamentos eletrônicos na América Latina com atuação a partir da Argentina (E-Financial Tecnologia).
www.sidneioliveira.com.br
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